8 de mar de 2014

“Três Marias”

Bordadeiras - Elisiana Alves


O Cinturão de Órion é uma das constelações mais conhecidas da astrologia. Mintaka, Alnilam e Alnitak, as três estrelas que formam esse cinturão são conhecidas popularmente no Brasil como as Três Marias. Nome que não se sabe de fato quando e como surgiu, porém Maria é um nome forte, como o brilho da constelação de Órion, onde astrônomos apontam que sua visualização se torna mais intensa no mês de Março.
Não é de intenção falar de astronomia aqui, mas sim de mulheres. O mês de Março ficou representado pela luta das mulheres, e neste mês que as Três Marias que formam o cinturão de Órion se destaca no céu, falaremos de três mulheres, três Marias que representam a cidade de Taiobeiras, pela sua história de vida. Mulheres que mostram o lado de mãe, de política e cidadã. Que construíram parte da história do município, e que foram significativas nas vidas de muita gente. A escolha das três Marias aqui é um resumo de tantas outras Marias que construíram e constrói Taiobeiras.
Dona Maria:
Maria Lucinda de Oliveira nasceu na comunidade do Atoleiro no município de Taiobeiras, em 20 de dezembro de 1928. Casou-se em 1944 e se mudou para a antiga Fazenda Coqueiro. Ali viveu até 1949, aonde veio para a cidade. Do 1º casamento teve quatro filhos, em 1956 separou, teve ainda mais cinco filhos dos quais criou só. Dona de Casa de mão cheia, Dona Maria foi grande biscoiteira na região, fez muitos festas de casamento na cidade. Hoje aos 85 anos, sempre está fazendo alguma coisa, ou na cozinha preparando algo, ou zelando sua casa.  Atualmente tem quarenta netos, cinquenta e quatro bisnetos e três tataranetos. Apesar das dificuldades que teve na vida, sempre foi uma mulher de força e dedicação aos filhos, um símbolo de quem se dedicou aos filhos acima de tudo.
Dona Lia:
Maria Matos de Sena nasceu em 04 de janeiro de 1939 na Fazenda Alto Oliveira, Dona Lia assim conhecida, casou-se com Geraldo Sarmento de Sena, com que teve 07 filhos e 09 netos. Fez de tudo na fazenda onde morou boa parte da vida, dona de casa, costureira, cozinheira, e ali começou um dos ofícios que mais a representou, lecionando para os alunos da comunidade. Mudou-se para a cidade de Taiobeiras em 1963, onde lecionou por várias escolas. Em 1983 seu marido foi eleito prefeito do município. Em 1986 com a mudança para o regime democrático no Brasil foi implantado as secretarias de Assistência Social em todos os lugares, assim Dona Lia se tornou a primeira assistente social de Taiobeiras até 1988. Com um trabalho bem avaliado nesse período, se tornou nome forte. Quatro anos depois candidatou - se a prefeita, foi eleita a primeira prefeita na região. E mesmo com as dificuldades sofridas na sua gestão, Dona Lia foi uma das representações femininas mais fortes na política taiobeirense até hoje.
Dona Mariinha:
Maria Soares Guimarães nasceu na cidade de Caetité – BA no dia 20 de novembro de 1939, ainda recém-nascida foi morar na comunidade de Vargem Grande, na época distrito de Rio Pardo de Minas, onde cresceu e constituiu família. Exerceu nesse período vários ofícios, entre eles de professora de 1ª a 4ª série. Dona Mariinha, assim conhecida por todos, mudou-se para Taiobeiras nos anos 1960. Teve 05 filhos, 11 netos, e na expectativa de receber seu primeiro bisneto.  Fez parte de vários movimentos dentro da Igreja Católica, na Paróquia de São Sebastião, mais especificamente na comunidade de Cristo Rei. Em 1997 com a Campanha da Fraternidade com o tema “Cristo liberta de todas as prisões”, a Pastoral da Carceragem ganhou força em Taiobeiras, com a participação significativa de Dona Mariinha, que ao longo destes 14 anos vem desenvolvendo trabalhos de assistência social aos presidiários. Seu trabalho é reconhecido não só pelos presos da cadeia local, mas de toda comunidade e autoridades que vêem em seu trabalho uma oportunidade a muitos condenados. Trabalho que não fica só no espiritual, mas na tentativa de dar dignidade a muitos que passam por ali. Dona Mariinha é uma representação de uma luta social contra a violência a partir da tentativa de recuperação dos detentos.
Nossas Marias
As três Marias aqui tratadas são um pouco de tantas e tantas Marias que representam não só a cidade de Taiobeiras, mas em todo mundo. Mulheres que lutaram e ainda lutam numa sociedade cheia de desigualdade e inferioridades. Mulheres que passam por cima dos preconceitos de gênero, enraizado em uma sociedade patriarcal. Sociedade machista que apesar de tantas mudanças, está presente sempre, inferiorizando não só as mulheres, mas todos que não inclui o homem tradicional colocado nesta sociedade como o gênero mais forte.
A luta e o trabalho de Dona Maria, Dona Lia e Dona Mariinha pode ser pouco para muita gente, mas se tornam gigantes quando se vê as lutas das mulheres por todos os lugares. Mostrado que de frágil não tem nada, e que cada dia tenta se por adiante a situação de serem sujeitadas pelo gênero masculino, ganhando maior emancipação diante a esta batalha árdua do preconceito.  O nome Maria é um nome forte desta luta, como eternizada na música de Milton Nacimento onde faz homenagem a todas essas Marias que estão na luta.

Maria, Maria
Milton Nascimento
Maria, Maria
É um dom, uma certa magia
Uma força que nos alerta
Uma mulher que merece
Viver e amar
Como outra qualquer
Do planeta
Maria, Maria
É o som, é a cor, é o suor
É a dose mais forte e lenta
De uma gente que ri
Quando deve chorar
E não vive, apenas aguenta
Mas é preciso ter força
É preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Maria, Maria
Mistura a dor e a alegria
Mas é preciso ter manha
É preciso ter graça
É preciso ter sonho sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania
De ter fé na vida
Mas é preciso ter força
É preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Maria, Maria
Mistura a dor e a alegria
Mas é preciso ter manha
É preciso ter graça
É preciso ter sonho sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania
De ter fé na vida




REFERÊNCIA


CIÊNCIA E TECNOLOGIA. Cinturão de Órion | As Três Marias Mintaka, Alnilam, Alnitak. Disponível em: http://cienciasetecnologia.com/cinturao-de-orion-tres-marias/. Acessado em: 07 de março de 2014

 





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